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Atitudes e crenças que nos impedem de sair da zona de conforto Fonte: RH Think, 12/11/2018

Eu nem tinha percebido, não tem importância, não foi tão ruim assim, poderia ter sido pior, não tem jeito, não há saída, não há nada que eu possa fazer…

Quem de nós não utilizou frases como estas, para justificar ou minimizar questões relacionadas a si mesmo, aos outros e/ou a uma determinada situação? Essas falas aparentemente normais e inofensivas expressam a intenção de tirar a qualidade, importância e amplitude de algum acontecimento, de nós mesmos ou de uma pessoa.

Trata-se de um mecanismo que muitas vezes se transforma em hábito e que é definido pela Análise Transacional como “Desqualificação”.

Podemos desqualificar próprios sentimentos, percepções, pensamentos ou ações; os sentimentos, percepções, pensamentos ou ações de outras pessoas; ou ainda alguns fatores na situação da realidade que nos circunda.

A pessoa que desqualifica, acredita ou age como se algum aspecto de si mesma, de outra pessoa ou da realidade fosse menos significativo do que realmente é. O impacto dos acontecimentos é reduzido, em geral propositalmente, para anestesiar o sentir, evitando assim a dor, a desilusão ou frustração. Dessa forma fica mantido o nosso quadro de referência com nossas crenças limitantes, que preservam a zona de conforto e com isso, tudo se mantém da mesma forma, no mesmo lugar. Ou seja, sem melhorias e sem mudança.

Pode parecer insano e talvez o seja, mas nos acostumamos com tudo! Até mesmo com o sofrimento, o esforço e a dor. O desconhecido e o novo pode nos parecer muito ameaçador, mesmo que traga muitas possibilidades de melhoria, prazer, satisfação.

Assim, desqualificar pode nos trazer um alívio por nós valorizado, que é não fazer contato com esse “novo”.

A razão pela qual tantos de nós enfrentamos problemas que parecem insolúveis é que desqualificamos, ou seja “minimizamos” nossa própria capacidade em resolvê-los, acreditando que “Não posso fazer nada a respeito disso”. Para a Análise Transicional (Leia também – Produtividade e Analise Transacional ) essa é a quarta das quatro etapas da desqualificação.

Via de regra iniciamos desqualificando a existência de um problema. Trata-se da negação, da velha resposta: “eu nem percebi isso”, “não, isso não existe”, “só você está vendo”… Quando não qualificamos a existência de algo, reduz-se a possibilidade de resolução, nos mantemos distantes das situações e sem consciência de que existe algo a ser melhorado.

Na segunda etapa, apesar de reconhecer a existência de algo, desqualificamos a importância dele. É comum expressões “tá, mas isso não é nada”, “é normal, sempre foi assim”, ou seja desvalorizamos a necessidade de fazer algo a respeito, por não considerarmos importante.

O desconhecido e o novo pode nos parecer muito ameaçador, mesmo que traga muitas possibilidades de melhoria, prazer, satisfação.

Ao passarmos para a terceira etapa, já conseguimos identificar que de fato existe algo, que isso tem relevância, nossa consciência se amplia em relação ao problema e ficamos mais mobilizados por seus impactos. É comum gastarmos mais energia pensando nas situações críticas e suas consequências, mas, ainda assim, temos a convicção que não há o que fazer para resolver. Falamos que “não tem jeito”, “é assim em todo lugar” e “de fato não tem nada a ser feito”.

A superação da quarta etapa é o ponto crucial para nos encaminhar de fato para o movimento de mudança. Nessa etapa, já estamos conscientes do problema, da importância dele, das possibilidades de fazer algo a respeito, mas temos a crença de que nós não temos capacidade para tomar as ações. Falamos que “eu não dou conta”, “se eu fosse,… se eu tivesse…”, “é impossível para mim”… e vamos acumulando tantas e tantas justificativas que de fato tudo parece insolúvel! Nossa visão vai se atrofiando e não conseguimos enxergar nada além dos muros que vamos formando com nossas limitações.

O pior é que acreditamos nisso cada vez mais e vamos nos tornando espectadores de nossa própria existência, habituando-nos com o que vivemos, com a escassez, com o “mais ou menos”. Vamos ficando anestesiados em um conformismo, que nos impede de utilizar nosso pleno potencial, seja nas relações, nos projetos ou nos resultados. O medo de enxergar a realidade nos aprisiona em um mundo de sonhos não realizados, o risco da mudança nos preenche de desejos não atendidos e anseios sufocados. O oposto de uma vida plena, autônoma, real e cheia de significados.

Nossa visão vai se atrofiando e não conseguimos enxergar nada além dos muros que vamos formando com nossas limitações

Como virar a chave? Como mudar o rumo? Ativando nossa Consciência para exercitar o Qualificar.

Para Peter Russell (autor do livro e filme “O Buraco Branco do Tempo”), vivemos hoje uma das mais letais crises na humanidade, a crise de Consciência que gera em nós robotização e alheamento, comportamentos repetitivos, falta de conexão e significado para a vida.

À medida que vamos desenvolvendo nossa consciência, nos conectando com o aqui e agora, vamos desligando o piloto automático da desqualificação. Passamos a ficar mais atentos às pequenas evidências e evitamos com isso grandes problemas. Conseguimos ler mais facilmente nossas necessidades individuais, respeitando e atendendo-as prioritariamente. Passamos a valorizar o outro, ampliando a empatia e capacidade de conexão. Damos a nós mesmos a permissão para colocar em dúvida nossas certeza e crenças e ficamos mais abertos para enxergar a realidade, uma vez que a inquietação e a dúvida são os propulsores de nossas mudanças e nossa evolução.

(Dica de leitura – A dor da aprendizagem)

Vale a pena no mínimo pensar – “Será?”, quando temos alguma evidência ou sinalização externas, antes de desqualificar. É também importante ficarmos atentos às generalizações e grandiosidade com a qual interpretamos determinadas situações ou fatos relacionados a nós ou aos outros. Quando utilizamos advérbios como “sempre, nunca, tudo, nada”, é bem possível estarmos desqualificando algo e com isso deixando de ver o que realmente existe ao nosso redor.

Mais atentos e despertos, vamos exercitando esse questionar, esse perceber e aos poucos constatamos que podemos mais, e que nosso potencial ilimitado se expande à medida que nos permitimos qualificar a nós, ao outros e às situações à nossa volta. Mudanças reais ocorrem quando nos propomos a exercitar a qualificação. Qualificar é dar importância. Qualificar é abrir possibilidades para melhoria, crescimento e para a maravilhosa experiência da evolução!

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